Revista Do Tempo e da História
A revista Do Tempo e da História, dirigida pela Professora Virgínia Rau, divide-se em cinco números publicados entre 1965 e 1972. Nos seus vários artigos assiste-se a uma maior incidência analítica em torno de áreas de estudo localizadas temporalmente na Baixa Idade Média e nos séculos XVI, XVII e XVIII.
Segue-se o texto de apresentação da revista, publicado no seu primeiro número, no ano de 1965:
«Não carece ser demonstrada a necessidade de um Centro de Estudos dispor de um órgão próprio onde possa apresentar as conclusões que for tirando relativamente aos seus trabalhos em curso ou onde possa abordar temas e fixar pesquisas. Interessa-lhe também dispor de um meio de contacto regular com o público esclarecido e os estudiosos, onde se faça a recensão da bibliografia mais recente, ou se promova a análise crítica de obras sobre as quais importa realmente formular um juizo. Além disso, é desnecessário salientar a vantagem que há em dispor de uma publicação onde sejam acolhidos trabalhos de historiadores nacionais e estrangeiros cujos métodos, problemática e conclusões revistam interesse para a cultura histórica portuguesa.
Nestes termos, como se verifica pelo seu sumário,«Do Tempo e da História» não se apresenta na totalidade das suas secções já previstas. Mas impunha-se, sem dúvida, o seu aparecimento imediato para publicação de trabalhos realizados por investigadores do Centro e cuja divulgação se torna desejável, com vista a dar a conhecer os resultados preliminares do seu labor científico.
Em três pontos fundamentais se tem articulado o plano de investigação deste Centro: a história das estruturas da sociedade portuguesa (desde as culturais às administrativas, oficiais ou particulares), a demografia histórica e a história das relações internacionais de Portugal. Os dois primeiros visam a articulação em termos realmente concretos (e não doutrinário-concretos, como é frequente fazer-se) de uma história da sociedade portuguesa, assentando sobre o prévio estudo das reais condições da sua evolução. O terceiro ponto procura dar às relações internacionais o papel que tiveram na história nacional, quebrando assim o isolamento em que tão frequentemente se realiza a investigação histórica portuguesa e que tantos reparos suscita pela insuficiência de perspectiva que, deste modo, não pode deixar de patentear. Não são, como se vê, objectivos realizáveis a curto prazo nem que possam ser considerados definidos de uma só vez. Envolvem trabalhos parcelares, cuja solidez deve ser averiguada; conclusões provisórias; todo um desenvolvimento de investigações diversas, originais, embora coordenadas e assentes em trabalhos de grupo. Para realização efectivamente váida destes objectivos impunha-se - entre outras necessidades e independentemente de outras exigências - um plano de publicações cuja execução fosse revelando os passos dados numa investigação organizada.
Este programa começou a ser posto em prática, primeiro, graças à Fundação Calouste Gulbenkian e, depois, ao Plano de Fomento da Acção Educativa, através do Instituto de Alta Cultura. Assim, foram impressas algumas dissertações de licenciatura e outros trabalhos que, tanto pela natureza e significado dos temas e conclusões, como pela capacidade de investigação neles revelada, mereciam mais ampla divulgação. A publicação de obras e documentos inéditos de interesse acompanhou de perto a execução do primeiro ponto do programa, além de tudo o mais, condicionado sempre pelas possibilidades financeiras e administrativas deste Centro. Para completar o conjunto dos seus meios de comunicação, o Centro de Estudos Históricos passou agora a dispor de um Órgão onde se poderão inserir trabalhos monográficos dos seus colaboradores, expressivos das suas investigações e resultados, na medida em que for de interesse a sua difusão imediata. É esta a finalidade da série a que pertence esta colectânea: assim se explica a variedade dos seus artigos, dentro de uma unidade de tratamento e método de investigação...»
Segue-se o texto de apresentação da revista, publicado no seu primeiro número, no ano de 1965:
«Não carece ser demonstrada a necessidade de um Centro de Estudos dispor de um órgão próprio onde possa apresentar as conclusões que for tirando relativamente aos seus trabalhos em curso ou onde possa abordar temas e fixar pesquisas. Interessa-lhe também dispor de um meio de contacto regular com o público esclarecido e os estudiosos, onde se faça a recensão da bibliografia mais recente, ou se promova a análise crítica de obras sobre as quais importa realmente formular um juizo. Além disso, é desnecessário salientar a vantagem que há em dispor de uma publicação onde sejam acolhidos trabalhos de historiadores nacionais e estrangeiros cujos métodos, problemática e conclusões revistam interesse para a cultura histórica portuguesa.
Nestes termos, como se verifica pelo seu sumário,«Do Tempo e da História» não se apresenta na totalidade das suas secções já previstas. Mas impunha-se, sem dúvida, o seu aparecimento imediato para publicação de trabalhos realizados por investigadores do Centro e cuja divulgação se torna desejável, com vista a dar a conhecer os resultados preliminares do seu labor científico.
Em três pontos fundamentais se tem articulado o plano de investigação deste Centro: a história das estruturas da sociedade portuguesa (desde as culturais às administrativas, oficiais ou particulares), a demografia histórica e a história das relações internacionais de Portugal. Os dois primeiros visam a articulação em termos realmente concretos (e não doutrinário-concretos, como é frequente fazer-se) de uma história da sociedade portuguesa, assentando sobre o prévio estudo das reais condições da sua evolução. O terceiro ponto procura dar às relações internacionais o papel que tiveram na história nacional, quebrando assim o isolamento em que tão frequentemente se realiza a investigação histórica portuguesa e que tantos reparos suscita pela insuficiência de perspectiva que, deste modo, não pode deixar de patentear. Não são, como se vê, objectivos realizáveis a curto prazo nem que possam ser considerados definidos de uma só vez. Envolvem trabalhos parcelares, cuja solidez deve ser averiguada; conclusões provisórias; todo um desenvolvimento de investigações diversas, originais, embora coordenadas e assentes em trabalhos de grupo. Para realização efectivamente váida destes objectivos impunha-se - entre outras necessidades e independentemente de outras exigências - um plano de publicações cuja execução fosse revelando os passos dados numa investigação organizada.
Este programa começou a ser posto em prática, primeiro, graças à Fundação Calouste Gulbenkian e, depois, ao Plano de Fomento da Acção Educativa, através do Instituto de Alta Cultura. Assim, foram impressas algumas dissertações de licenciatura e outros trabalhos que, tanto pela natureza e significado dos temas e conclusões, como pela capacidade de investigação neles revelada, mereciam mais ampla divulgação. A publicação de obras e documentos inéditos de interesse acompanhou de perto a execução do primeiro ponto do programa, além de tudo o mais, condicionado sempre pelas possibilidades financeiras e administrativas deste Centro. Para completar o conjunto dos seus meios de comunicação, o Centro de Estudos Históricos passou agora a dispor de um Órgão onde se poderão inserir trabalhos monográficos dos seus colaboradores, expressivos das suas investigações e resultados, na medida em que for de interesse a sua difusão imediata. É esta a finalidade da série a que pertence esta colectânea: assim se explica a variedade dos seus artigos, dentro de uma unidade de tratamento e método de investigação...»
Volume I - 1965
- Para a história da população portuguesa dos séculos XV e XVI (resultados e problemas de métodos). pp. 7-46
Virgínia Rau
- Nótulas de história do século XV português. pp. 47-67
Eduardo Nunes
- Físicos e cirurgiões quatrocentistas. As cartas de exame. pp. 69-112
Iria Gonçalves
- Alguns problemas do pastoreio, em Portugal, nos séculos XV e XVI. pp. 113-134
Maria José Lagos Trindade
- Feitores e escrivães na Andaluzia durante o reinado de D. João III. pp. 135-159
Manuel Henrique Côrte-Real
- Engenhos de moagem no século XVI (Técnicas e estruturas). pp. 161-192
Maria Olímpia da Rocha Gil
- Músicos de câmara no reinado de D. José I. pp. 193-218
Maria Adelaide Salvador Marques
- Para a história da população portuguesa dos séculos XV e XVI (resultados e problemas de métodos). pp. 7-46
Virgínia Rau
- Nótulas de história do século XV português. pp. 47-67
Eduardo Nunes
- Físicos e cirurgiões quatrocentistas. As cartas de exame. pp. 69-112
Iria Gonçalves
- Alguns problemas do pastoreio, em Portugal, nos séculos XV e XVI. pp. 113-134
Maria José Lagos Trindade
- Feitores e escrivães na Andaluzia durante o reinado de D. João III. pp. 135-159
Manuel Henrique Côrte-Real
- Engenhos de moagem no século XVI (Técnicas e estruturas). pp. 161-192
Maria Olímpia da Rocha Gil
- Músicos de câmara no reinado de D. José I. pp. 193-218
Maria Adelaide Salvador Marques
Volume II - 1969
- Política económica e mercantilismo na correspondência de Duarte Ribeiro de Macedo (1668-1676). pp. 3-48
Virgínia Rau
- Sumário duma história do açúcar siciliano. pp. 49-78
Carmelo Trasselli
- O monaquismo ibérico e Cluny. pp. 79-95
José Mattoso
- Parecer do Doutor «Velasco di Portogallo» sobre o beneplácito régio (Florença, 1454). pp. 97-139
Eduardo Nunes e Martim de Albuquerque
- Ilha de Santiago e Angra de Bezeguiche, escalas da carreira da Índia. pp. 141-149
A. Teixeira da Mota
- Observações à última edição do «Livro de cozinha» da Infanta D. Maria. pp. 151-159
Eduardo Nunes
- Política económica e mercantilismo na correspondência de Duarte Ribeiro de Macedo (1668-1676). pp. 3-48
Virgínia Rau
- Sumário duma história do açúcar siciliano. pp. 49-78
Carmelo Trasselli
- O monaquismo ibérico e Cluny. pp. 79-95
José Mattoso
- Parecer do Doutor «Velasco di Portogallo» sobre o beneplácito régio (Florença, 1454). pp. 97-139
Eduardo Nunes e Martim de Albuquerque
- Ilha de Santiago e Angra de Bezeguiche, escalas da carreira da Índia. pp. 141-149
A. Teixeira da Mota
- Observações à última edição do «Livro de cozinha» da Infanta D. Maria. pp. 151-159
Eduardo Nunes
Volume III - 1970
- Problèmes et possibilités d'une histoire économique quantitative de l' Amérique Latine depuis l'Indépendence:le cas du Brésil
pp. 1-12
Frédéric Mauro
- As rotas marítimas portuguesas no Atlântico de meados do século XV ao penúltimo quartel do século XVI. pp. 13-33
A. Teixeira da Motal
- A nobreza portucalense dos séculos IX a XI. pp. 35-50
José Mattoso
- O porto de Ponta Delgada e o comércio açoriano no século XVII (elementos para o estudo do seu movimento). pp. 51-130
Maria Olímpia da Rocha Gil
- O pensamento político de Duarte Ribeiro de Macedo. pp. 131-167
Maria Teresa Trigo Neto e Cova
- Morte ou Libertação del-rei D. Afonso VI. pp. 169-192
Virgínia Rau
- Notas bibliográficas. pp. 193-200
- Problèmes et possibilités d'une histoire économique quantitative de l' Amérique Latine depuis l'Indépendence:le cas du Brésil
pp. 1-12
Frédéric Mauro
- As rotas marítimas portuguesas no Atlântico de meados do século XV ao penúltimo quartel do século XVI. pp. 13-33
A. Teixeira da Motal
- A nobreza portucalense dos séculos IX a XI. pp. 35-50
José Mattoso
- O porto de Ponta Delgada e o comércio açoriano no século XVII (elementos para o estudo do seu movimento). pp. 51-130
Maria Olímpia da Rocha Gil
- O pensamento político de Duarte Ribeiro de Macedo. pp. 131-167
Maria Teresa Trigo Neto e Cova
- Morte ou Libertação del-rei D. Afonso VI. pp. 169-192
Virgínia Rau
- Notas bibliográficas. pp. 193-200
Volume IV - 1971
- Fontes documentais castelhanas para a história da expansão portuguesa na Guiné nos últimos anos de D. Afonso V. pp. 5-33
Peter E. Russell
- A importância económica e a posição social dos judeus sefardins na Espanha dos fins da Idade Média. pp. 35-51
Hermann Kellenbenz
- O hospital do Espírito Santo da vila da Castanheira. pp. 53-95
Isaías da Rosa Pereira
- Bartolomeo di Iacopo di ser vanni mercador-banqueiro florentino «estante» em Lisboa nos meados do século XV. pp. 97-117
Virgínia Rau
As Ordens Militares e a tributação régia, em Portugal. pp. 119-123
Virgínia Rau e Iria Gonçalves
- A propriedade das Ordens Militares nas inquirições gerais de 1220. pp. 125-138
Maria José Lagos Trindade
- A Vigairaria de Tomar, nos finais do século XV. pp. 139-151
Maria José Pimenta Ferro
- As doações de D. Manuel, duque de Beja, a algumas igrejas da Ordem de Cristo. pp. 153-172
Maria José Pimenta Ferro
- Amostra de antroponímia alentejana do século XV. pp. 173-212
Iria Gonçalves
Notas bibliográficas. pp. 213-244
- Fontes documentais castelhanas para a história da expansão portuguesa na Guiné nos últimos anos de D. Afonso V. pp. 5-33
Peter E. Russell
- A importância económica e a posição social dos judeus sefardins na Espanha dos fins da Idade Média. pp. 35-51
Hermann Kellenbenz
- O hospital do Espírito Santo da vila da Castanheira. pp. 53-95
Isaías da Rosa Pereira
- Bartolomeo di Iacopo di ser vanni mercador-banqueiro florentino «estante» em Lisboa nos meados do século XV. pp. 97-117
Virgínia Rau
As Ordens Militares e a tributação régia, em Portugal. pp. 119-123
Virgínia Rau e Iria Gonçalves
- A propriedade das Ordens Militares nas inquirições gerais de 1220. pp. 125-138
Maria José Lagos Trindade
- A Vigairaria de Tomar, nos finais do século XV. pp. 139-151
Maria José Pimenta Ferro
- As doações de D. Manuel, duque de Beja, a algumas igrejas da Ordem de Cristo. pp. 153-172
Maria José Pimenta Ferro
- Amostra de antroponímia alentejana do século XV. pp. 173-212
Iria Gonçalves
Notas bibliográficas. pp. 213-244
Volume V - 1972
- S. Rosendo e as correntes monásticas da sua época. pp. 5-27
José Mattoso
- Alguns estudantes e eruditos portugueses em Itália no século XV. pp. 29-99
Virgínia Rau
- Leituras cistercienses do século XV. pp. 101-141
José Mattoso
- Aspectos do «trato» da «adiça» e da «pescaria» do «coral» nos finais do século XV. pp. 143-157
Virgínia Rau
- Antroponímia das terras alcobacenses nos fins da Idade Média. pp. 159-200
Iria Gonçalves
- Para o estudo da numária de D. Dinis. pp. 201-228
Maria José Pimenta Ferro
- Notas Bibliográficas. pp. 229-265
- S. Rosendo e as correntes monásticas da sua época. pp. 5-27
José Mattoso
- Alguns estudantes e eruditos portugueses em Itália no século XV. pp. 29-99
Virgínia Rau
- Leituras cistercienses do século XV. pp. 101-141
José Mattoso
- Aspectos do «trato» da «adiça» e da «pescaria» do «coral» nos finais do século XV. pp. 143-157
Virgínia Rau
- Antroponímia das terras alcobacenses nos fins da Idade Média. pp. 159-200
Iria Gonçalves
- Para o estudo da numária de D. Dinis. pp. 201-228
Maria José Pimenta Ferro
- Notas Bibliográficas. pp. 229-265
